27/11/2007

Um mudo adeus...

A ti mulher, furacão da natureza, que decidiste partir sem me avisar
nem quiseste esperar pelo tempo em que nossas rugas e cabelos brancos
contariam estórias por nós.

Turbulência, palpitações, agitação
Tinhas tudo para dar à vida
E tudo para absorver da vida
Mas não devias ter tirado a vida
A tua vida não é só tua...

Nunca te soube tão perturbada
Se estavas assustada, cansada, porque não disseste logo?
Foi necessário fazeres as malas à pressa no bico de uma caneta
E partires com a pressa de uma bala?

Em vez de pegares na arma, tinhas a minha mão mais perto...
Mas tu sempre complicaste as coisas não é?
Não poderia ser de outra maneira...

Quiseste ir para outro lugar, onde pudesses encontrar paz
Aquela paz de que tantas vezes falaste...
E espero que não te tenhas errado...
Pois para deixares o inferno da tua ausência cá na terra
É bom mesmo que a tenhas encontrado aí, algures...

Volta um dia depressa, com a mesma pressa com que partiste.
Mais calma, mais descansada...
Pois agora estás a descansar finalmente... de todo o desassossego...
Quem mais me mostrará poemas de Vinícius de Moraes?
Quem mais ameaçará com panela?
Quiseste que a tua vida saíse pela janela
Nas asas de um projéctil frio...

E aqui fica o vazio...
Da tua ausência...
Até um dia...
E assim sou forçado a dizer-te um adeus mudo
no pensamento
Pois da parte física fugiste tu...

12/11/2007

Ambrósio, apetecia-me algo...

Nunca acordaram com uma vontade absurda de fazer não sei o quê, a propósito de qualquer coisa, por causa de algo que não saberiam dizer?

O problema é quando paramos para pensar e encontrar algo que nos preencha esse espaço e não sabemos o que é.

E por isso dá-nos esta sensação esquesita de não sabermos por que é que nos deu esta vontade estranha de querer fazer qualquer coisa, sem sabermos o que é ao certo...

Mas também não sabemos ao certo o que é esta sensação esquesita... não sabemos ao certo o que é isto que sentimos, quando temos vontade de querer fazer ou dizer qualquer coisa só pelo simples facto dessa coisa ter que ser algo para ocupar o espaço em branco da coisa que queremos fazer mas não sabemos ao certo o que é...

E pronto... ficamos a suspirar, com o peito cheio de ansiedade, à espera que a certeza do que queremos fazer ou falar venha do céu aos trambolhões e nos faça ficar felizes, nem que seja por um instante, até que o próximo ataque de incerteza nos venha assolar e nos nos faça pensar se havemos de tomar mais uma Flouxetina, ou não...